domingo, 30 de agosto de 2009

Nostalgia do futuro

Saudades de um futuro ainda por vir... nostalgia da não-memória?
Talvez seja possível, no entanto, que a memória exista, e só eu que não saiba.

Mas a vida não cansa de me empurrar cada vez mais na direção oposta. Como um vento contra, ela passa por mim me forçando pra trás, mas me deixando ver o que eu almejo à minha frente. Desde criança eu busco... procuro... olho em cada olho e a cada ruga de cada rosto alguma coisa que não sei bem ao certo o que é.

Mas perdi minhas forças, e quando caí pra trás sendo levado por ele, caiu um anjo do meu lado. Tão fraco quanto eu, aparentemente, mas tão incomum e especial também.

Durante toda a minha vida me senti solitário. Acho que todos já se sentiram assim, na verdade, mas entenda que, ao contrário da maioria das pessoas, era nos momentos em que eu estava sozinho que me achava mais eu, mais confortável... As pessoas são diferentes - sempre foram - e agir como elas só me faz sentir deslocado e sozinho.

Costumo sentir que eu sou diferente dos outros como um cachorro é diferente de um gato. Não é que eu seja melhor do que ninguém, mas eu sou diferente, como se fosse de outra espécie... ou de outro lugar.

Toda vez que mergulho em mim e tagarelo incansavelmente sobre tudo aquilo que define quem eu sou e quem eu pretendo me tornar eu noto que os outros se distanciam em entendimento, ou em interesse, ou ainda em similaridade e identificação.

"Existem outros como você", costumava dizer a minha tia. Mas ao meu ver impaciente de quem se sente largado e perdido no meio de uma floresta assustadora e perigosa, não existia mais ninguém. No entanto, nunca desisto de buscar... em cada curva, em cada reta, em cada nova cidade, em cada nova palavra... especialmente em cada nova palavra, eu busco sempre aquele tonzinho brincalhão e irônico, sério e romântico, descompromissado e atento, despretencioso e intencional que eu sempre ouço saindo da minha boca.

Eu tenho quase certeza de que nunca vou deixar de buscar... posso achar quantas pessoas forem que sejam como eu, nunca vou deixar de sentir saudade de casa... ou do passado mais evoluído que eu tenho... do passado do futuro...

O ser humano é engraçado, ser social, precisa sempre de alguém como ele. Isso eu aprendi, e é mesmo muito melhor se sentir sozinho junto com alguém. Que bom que você apareceu, clone.


Um comentário:

Paula disse...

Obrigada pelo carinho, clone :~
A vida é um eterno voltar para casa, não é mesmo? e é assim que você me faz sentir. Calma, em casa. Onde eu posso ser eu mesma sem medo do que existe por trás dos teus olhos. Você era o amigo que me faltava. Parece que eu acabei de me ler, foi ótimo sentir que não estou sozinha no mundo.